Todos tem direito à recuperação no Alcoólicos Anônimos

Terceira Tradição - O Ingresso em A.A.
 “Todas as Tradições foram criadas pelo método da experiência e erros; sob essa Tradição estão todas as tentativas fracassadas de impor outras exigências, até mesmo, por exemplo, a intranqüilidade manifestada pelo Dr. Bob acerca da admissão de mulheres, quando apareceram as primeiras.” (Linguagem do Coração, página 94)
 Tal como apareceu no prefácio da primeira edição do livro Alcoólicos Anônimos em 1939: O único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de beber.

Mas levou um longo tempo para A.A. tornar-se realmente democrático. Quando pela primeira vez  uma grande publicidade entrou em nosso caminho, ficamos apavorados e falávamos entre nós mesmos: “Não aparecerão todos os tipos de pessoas? Complicações, vocês sabem, o álcool misturado com outras coisas”. Naqueles dias  nós estávamos sempre falando sobre um personagem mítico chamado alcoólico puro, sem complicações, vocês entendem, apenas um bêbado. E por isso, quando novos membros começaram a chegar nosso medo aumentou. Perguntávamos: Não aparecerão pessoas esquisitas, criminosas ou socialmente indesejáveis? Confusos e com uma certa quantidade de esnobismo e convencimento, ficamos realmente com medo.

Simplesmente não sabíamos o que ou quem apareceria. Por causa de todos esses temores e intolerância: “Em certa época havia tantas regras para tornar-se membro, que se todas elas tivessem sido impostas, realmente ninguém poderia ingressar em Alcoólicos Anônimos. Mas à medida que nossos temores e intolerâncias desapareceram, finalmente dissemos para nós mesmos: “Quem somos nós para impedir ou mesmo dificultar que alguém ingresse em A.A.?” Se para muitos bêbados desesperados,  Alcoólicos Anônimos  é a corte de sua última apelação. Como podemos nós os alcoólicos em recuperação, querer fechar a porta para alguém que quer entrar e se recuperar? Não, não podemos nunca fazer isso. Nem mesmo com a finalidade de proteger, que não queremos e nem podemos levantar a menor barreira entre nós e os nossos companheiros e companheiras ainda prisioneiros nas garras do alcoolismo. Jamais podemos ser intransigentes com eles e elas. Temos é que entrar na caverna escura aonde eles se encontram, e demonstrar que os compreendemos. Nos damos conta de que eles são demasiadamente débeis e confusos para transpor obstáculos. E se os deixarmos sozinhos em seu caminho, é possível que não se aproxime de nós e pereça. “Pode se ver privado de sua oportunidade.” Portanto, precisamos correr o risco, não importa quem venha. Qual de nós realmente se atreve a dizer: “não, você não pode entrar”, assumindo assim, o papel de juiz, jurado e talvez carrasco, de seu próprio companheiro ou companheira ainda doente? A Terceira Tradição é uma declaração geral, ela abrange   muitos aspectos. Muitos membros da Irmandade, pode considerá-la demasiado idealista e pouco prática. Mas Bill W. a chamou de Tradição Universal; e a classificou como sendo o “alvará de liberdade” para todos os alcoólicos e alcoólicas do mundo, que tenham o desejo de se libertarem  das garras do alcoolismo. Todos nós que hoje estamos sóbrios em Alcoólicos Anônimos, sabemos e bem o que é ser um prisioneiro de sua majestade o álcool.

Sabemos por exemplo, que o álcool transformado em voraz credor, nos esvaziou de toda essa auto-suficiência e de toda nossa vontade em resistir às suas exigências; e assim decretou a nossa falência como seres humano. Eu não tenho um conhecimento preciso sobre o assunto “alvará de liberdade”, e talvez nem devesse estar colocando-o neste trabalho, mas a intenção é apenas fazer uma pequena analogia entre os “alvarás” citados. Pelo que já ouvi, li e entendi; o “alvará de liberdade” é um documento expedido por um Juiz determinando que se liberte alguém que está preso judicialmente. O Juiz manda alguém redigir o documento, que após lido e aprovado, é encaminhado para alguém que tem a responsabilidade de cumpri-lo (de libertar o beneficiado ou a beneficiada) sem questioná-lo. E o que pude observar de diferente é que no judiciário o “alvará de liberdade” é uma ferramenta jurídica, usada pelos juízes para conceder liberdade a uma determinada pessoa que está prisioneira da justiça. Ao passo que a Terceira Tradição de Alcoólicos Anônimos é uma das ferramentas espirituais que o Poder Superior concebeu, para permitir que todos os alcoólicos e alcoólicas do mundo inteiro, tenhas quantas oportunidades que eles ou elas precisarem e quiserem para se recuperarem do alcoolismo. Pois em Alcoólicos Anônimos todos, absolutamente todos os alcoólicos e alcoólicas tem o direito inalienável à recuperação, à liberdade.

Esse direito é conferido pela Terceira Tradição de A.A., e deveria ser cumprido integralmente pó todos os Grupos de Alcoólicos Anônimos. Mais uma vez aquela pergunta já feita, mas que todos os membros de A.A., principalmente os servidores de confiança, deveriam fazer sempre para si mesmos e para seus Grupos: “Quem somos nós para impedir ou mesmo dificultar que alguém ingresse me Alcoólicos Anônimos?” Quando falamos em impedir, não estamos falando que exista Grupos ou membros que vá autoritariamente barrar a entrada de alguém na Irmandade. Até por que: Estamos falando de alcoólicos em recuperação, além  do que : “Somente uma autoridade preside, em última análise ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que Se manifesta  em nossa consciência coletiva. Nossos lideres são apenas servidores de confiança, não tem poderes para governar.” E se acreditamos realmente nisso, precisamos colocar em prática sempre. Mas para isso é necessário que cada membro de A.A. estando ou não em serviço, cumpra seu dever ajudando o Grupo a cumprir seu propósito primordial. O de transmitir a mensagem, permitir a todos os alcoólicos e alcoólicas, o direito de participar de quantas reuniões eles quiserem, sem que coordenadores de reuniões  ou outros membros fiquem a todo momento perguntando ou mesmo falando sobre ingresso.

As experiências obtidas através dos anos e condensadas na Terceira Tradição diz: “Você será um membro de A.A. se assim o quiser.” Não importa o que tenha feito ou o que ainda venha a fazer, você é um membro de Alcoólicos Anônimos contando que você o diga. “Não tememos nem um pouco que você nos faça mal, por mais perverso e violento que você seja. Você tem o direito de declarar-se dentro da Irmandade; e ninguém poderá mantê-lo de fora, por mais baixo que tenha chegado, por mais grave que sejam suas complicações emocionais e até mesmo seus crimes; “Não podemos negar-lhe Alcoólicos Anônimos. Não podemos negar-lhe o direito à recuperação, à liberdade. Queremos apenas ter certeza de que você terá a mesma oportunidade de chegar à sobriedade que nós tivemos.”

Portanto, SEJAM BEM-VINDOS!